sexta-feira, 16 de abril de 2010

3º EM - Textos de apoio para a PT

Salve à todos e à todas.

Atendendo aos mais diversos pedidos e com objetivo de sanar o desejo incontrolável de saber que anceia vossas pobres almas, aproveito tal ferramenta do mundo virtual cibernético pós moderno para oferecer-lhes um apoio didático pedagógico de crescimento intelectual.

Visando permiter que desfrutem de dias menos intempestuosos, trago-lhes com grande felicidade, algumas indicações de sítios na rede mundial que os auxiliarão nos estudos, enobrecendo vossas almas e deixando vossas vidas menos taciturnas, macambuzias.

Seguirá, na complementação desta superficial, mas bem intencionada, redação, trechos destes mesmos sítios com a referência bibliográfica para a leitura em sua íntegra no próprio local de origem.

Fico, desde já, venturoso com vossas visitas neste humilde "blog".

Um ótimo final de semana,

Professor Tiago Dias





AUGUSTO COMTE E O POSITIVISMO


O progresso do espírito



A filosofia da historia – primeiro tema da filosofia de Comte – pode ser sintetizada na sua célebre lei dos três estados: todas as ciências e o espírito humano como um todo desenvolvem-se através de três fases distintas: a teológica, a metafísica e a positiva.

No estado teológico, pensa Comte, o número de observações dos fenômenos reduz-se a poucos casos e, por isso, a imaginação desempenha papel de primeiro plano. Diante da diversidade da natureza, o homem só consegue explicá-­la mediante a crença na intervenção de seres pessoais e sobrenaturais. O mundo torna-se compreensível somente através das idéias de deuses e espíritos. Segundo Comte, a mentalidade teológica visa a um tipo de compreensão absoluta; o homem, nesse estágio de desenvolvi­mento, acredita ter posse absoluta do conhecimento. Para além dos limites dos seres sobrenaturais, o homem não coloca qualquer problema, sentindo-se satisfeito na medida em que a possibilidade de recorrer à intervenção das divindades fornece um quadro para compreensão dos fenômenos que ocorrem ao seu redor.

Paralelamente às funções de explicação da natureza, a mentalidade teológica desempenharia também relevante papel de coesão social, fundamentando a vida social. Confiando em poderes imutáveis, fundados na autoridade, essa mentalidade teria como forma política correspondente a monarquia aliada ao militarismo.

O estado teológico, para Comte, apresenta-se dividido em três períodos sucessivos: o fetichismo, o politeísmo e o monoteísmo. No fetichismo, uma vida espiritual, semelhante à do homem, é atribuída aos seres naturais. O politeísmo esvazia os seres naturais de suas vidas anímicas - tal como concebidos no estágio anterior - e atribui a animação desses seres não a si mesmos, mas a outros seres, invisíveis e habitantes de um mundo superior. No monoteísmo, a distância entre os seres e seus princípios explicativos aumenta ainda mais; o homem, nesse estágio, reúne todas as divindades em uma só.

A fase teológica monoteísta representaria, no desenvolvimento do espírito humano, uma etapa de transição para o estado metafísico. Este, inicialmente, concebe “forças” para explicar ficar os diferentes grupos de fenômenos, em substituição às divindades da fase teológica. Fala-se então de uma “força física”, uma “força química”, uma “força vital”. Num segundo período, a mentalidade metafísica reuniria todas essas forças numa só, a chamada “natureza”, unidade que equivaleria ao deus único do monoteísmo.

O estado metafísico tem, segundo Comte, outros pontos de contato com o teológico. Ambos tendem à procura de soluções absolutas para os problemas do homem; a metafísica, tanto quanto a teologia, procura explicar a “natureza íntima” das coisas, sua origem e destino últimos, bem como a maneira pela qual são produzidas. A diferença reside no fato de a metafísica colocar o abstrato no lugar do concreto e a argumentação no lugar da imaginação. Nessa perspectiva comteana, o estado metafísico se caracterizaria fundamentalmente pela dissolução do teológico. A argumentação, penetrando nos domínios das idéias teológicas, traria à luz suas contradições inerentes e substituiria a vontade divina por "idéias" ou "forças". Com isso, a metafísica destruiria a idéia teológica de subordinação da natureza e do homem ao sobrenatural. Na esfera política, o espírito metafísico corresponderia a uma substituição dos reis pelos juristas; supondo-se a sociedade como originária de um contrato, tende-se a basear o Estado na soberania do povo.


O pensamento positivo

O estado positivo caracteriza-se, segundo Comte, pela subordinação da imaginação e da amamentação à observação. Cada proposição enunciada de maneira positiva deve corresponder a um fato, seja particular, seja universal. Isso não significa, porém, que Comte defenda um empirismo puro, ou seja, a redução de todo conhecimento à apreensão exclusiva de fatos isolados. A visão positiva dos fatos abandona a considera­cão das causas dos fenômenos (procedimento teológico ou metafísico) e torna-se pesquisa de suas leis, entendidos como relações constantes entre fenômenos observáveis. Quando procura conhecer fenômenos psicológicos, o espírito positivo deve visar às relações imutáveis presentes neles - como quando trata de fenômenos físicos, como o movimento ou a massa; só assim conseguiria realmente explicá-los. Segundo Comte, a procura de leis imutáveis ocorreu pela primeira vez na história quando os antros gregos criaram a astronomia matemática. Na época moderna, o mesmo procedimento invento reaparece em Bacon (1561 - 1626), Galileu (1564 - 1642) e René Descartes (1596 - 1650), os fundadores da filosofia positiva, para Comte.

A filosofia positiva, ao contrário dos estados teológico e metafísico, considera impossível a redução dos fenômenos naturais a um só princípio (Deus, natureza ou outro experiência equivalente). Segundo Comte, a experiência nunca mostra mais do que uma limitada interconexão entre determinados fenômenos. Cada ciência ocupa-se apenas com certo grupo de fenômenos, irredutíveis uns aos outros. A unidade que o conhecimento pode alcançar seria, assim, inteiramente subjetiva, radicando no fato de empregar-se um mesmo método, seja qual for o campo em questão: uma idêntica metodologia produz convergência e homogeneidade de teorias.

Essa unidade do conhecimento não é apenas individual, mas também coletiva; isso faz da filosofia positiva o funda­mento intelectual da fraternidade entre os homens, possibilitando a vida prática em comum. A união entre a teoria e a prática seria muito mais íntima no esta­do positivo do que nos anteriores, pois o conhecimento das relações constantes entre os fenômenos torna possível deter­minar seu futuro desenvolvimento. O conhecimento positivo caracteriza-se pela previsibilidade: “ver para prever” é o lema da ciência positiva. A previsibilidade científica permite o desenvolvi­mento da técnica e, assim, o estado positivo corresponde à indústria, no sentido de exploração da natureza pelo homem.

Em suma, o espírito positivo, segundo Comte, instaura as ciências como investigação do real, do certo e indubitável, do precisamente determinado e do útil. Nos domínios do social e do político, o estágio positivo do espírito humano marcaria a passagem do poder espiritual para as mãos dos sábios e cientistas e do poder material para o controle dos industriais.

Texto na íntegra
http://www.culturabrasil.org/comte.htm

5 comentários:

  1. Professor,isso serve pra nossa prova também,a do primeiro,não??

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  2. Professor, esse texto gerou duas dúvidas:

    Por que o militarismo como forma de governo correspondente ao estado teológico? A meu ver um estado militarista não atribui tudo a religião.

    Não compreendi muito bem sobre o fetichismo, por favor, poderia citar alguma sociedade que possua essa característica?

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  3. Então vamos às respostas:

    Primeiro, é importante notar que a forma teológica não é militar e sim uma associação do militar ao político. Precisamos nos reportar ao pensamento comtiano de sociedade, ou seja, o mundo considerado é apenas a Europa, portanto, é importante que se note que este Estado teológico citado está marcadamente influenciado pela formação inicial dos Estados, com grande influencia da Idade Média, com uma mistura poder político, com forte presença da Igreja, e militar, na passagem da cavalaria para o exército nacional. Neste sentido que Comte trata o tema.
    Vale lembrar que, tanto exército quanto religião são importantes mecanismos de coesão social.

    Segundo:
    Entendemos por fetichismo comtiano o que depois ficou conhecido como ANIMISMO. Os Europeus acreditavam que alguns povos não faziam distinção entre os homens e os outros seres da natureza, dando a estes uma vida espiritual tal como a do ser humano.

    Entendido?

    Bons estudos

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  4. Podemos tirar por conclusão que o estado positivista não se trata na verdade de um estado baseado na razão e sem fundamento da religião, mais sim, uma união de ambos dentro de suas importâncias ?

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