sábado, 8 de março de 2014

No dia 8 de março de 1857, na cidade de Nova Iorque, mulheres operárias paralisaram suas atividades, abrindo uma greve por melhores condições de trabalho e justiça social. Lutavam pela igualdade de gênero. Foram violentamente assassinadas, queimadas vivas dentro da sala da fábrica onde se encontravam.

Em 1975, a ONU decide por oficializar o data como Dia Internacional da Mulher. Objetivo: um dia para a pauta da luta contra a discriminação de gênero ser debatida e as condições entre mulheres e homens possam ser vistas e equiparadas. Muito tempo se passou, quase 40 anos, e a tal paridade ainda não existe. Mulheres no mundo todo recebem salários menores do que homens. No Brasil, em média, 16,5%, na Espanha, 23% e assim por diante.
Mas a data tomou outro rumo, movido pelos ditames do capitalismo usamos o dia para dar flores, chocolates, perfumes, mimos... E sucumbimos a luta sob a força do mercado. O que as mulheres querem é que o machismo, o patriarcalismo que dita os rumos do mundo se encerre. Tenho certeza que não querem ser melhores, querem ser iguais. Pois todos somos iguais. Querem respeito, liberdade! Li muitas frases de vocês, mulheres, pedindo o respeito e o direito de usarem a roupa que quiserem e não serem taxadas por isso, de saírem a noite, com calma, sem medo de assédios, poderem passear às ruas sem ouvirem chamados desrespeitosos, abusivos, ofensivos! Pois bem, eu também peço. Eu também desejo esse mundo igual em direitos!
Então, hoje, encaminho para vocês um feliz dia das mulheres desejando esse respeito, essa liberdade, essa igualdade de direitos que ainda não existe. Desejo a vocês cada vez mais força de luta para mudar o que ainda tem que ser mudado. Desejo a vocês alcançarem os mesmos salários, os mesmos cargos no mesmo tempo. 

Desejo que comandem o mundo com a doçura que lhes é peculiar, com o carinho que é inato aos seus corações e com a firmeza suave que só vocês, mulheres, podem ter.
Os chocolates, flores, perfumes e mimos vocês devem receber todos os dias simplesmente por lutarem por tudo isso e, ainda por cima, não tirarem a beleza do olhar e o sorriso do rosto!
Um feliz dia das mulheres, Mulheres!

(Tiago Figueiredo Dias - 08/03/2014 - 11h15)

Referências bibliográficas:
http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/conquistas_na_luta_e_no_luto_imprimir.html 
http://www.umoutroolhar.com.br/2012/03/8-de-marco-origem-revisitada-do-dia.html
(Acesso em 8 de março de 2014)


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Salve filósofos botequeiros de plantão!

As vezes dou as caras por aqui.

Achei esse texto bem interessante e oportuno pro momento!

Boa leitura!!!

Saúde a todos


http://cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1064


A mídia e o ódio à política

Começa nesta terça-feira o horário eleitoral gratuito do pleito municipal de 2012. Com todas as ressalvas cabíveis - a rendição ao publicitarismo desprovido de conteúdo programático é uma delas - constitui uma das raras janelas em que o critério de tempo, e a seleção dos temas tratados, escapa à pauta política imposta pela grande mídia à sociedade. A má vontade dos autointitulados 'formadores de opinião' com essas ilhas de autonomia é conhecida. 

Editorial da Folha deste domingo rememora a ladainha: trata-se de um instrumento de natureza impositiva, com veiculação simultânea obrigatória, que subtrai 60 horas da grade de programação das TVs comerciais; estas, como se sabe, oferecem ao país a crème de la crème do repertório cultural e informativo da humanidade.

A repulsa ao horário eleitoral tem sua origem na mesma cepa que identifica na Voz do Brasil não um serviço de utilidade pública suprapartidário, credor de aperfeiçoamento, mas uma agressão do 'leviatã hobesiano' à livre escolha da sociedade civil. 

Deriva desta fornalha ainda a ojeriza às televisões públicas, assim como ao chamado "Estado anunciante', cujo efeito deletério, sugestivamente, ganhou os holofotes dos 'pesquisadores' à medida em que o governo desconcentrou a veiculação da publicidade oficial, antes abocanhada quase integralmente pelos 'barões da mídia'. 

Aos liberais que não se libertam jamais da canga conservadora, não ocorre arguir se a estrutura de propriedade dos meios de comunicação -sobretudo no caso da televisão-- assegura a pluralidade narrativa necessária à formação critica do discernimento nacional. 

A verdade é que a indigência política no caso brasileiro tem como um de seus principais tributários a própria mídia. Baratear o debate sonegando espaço e relevância aos grandes temas que afrontem o seu interesse, é uma de suas especialidades. 

Um exemplo é o tratamento demonizante dispensado ao tema da regulação democrática do setor; outro, as acusações de chavismo carimbadas contra qualquer opinião favorável à ampliação da democracia participativa (leia nesta pág. a coluna de Laurindo Lalo Leal Filho, A criminalização da política).

A mesma edição dominical da 'Folha' que critica o horário eleitoral gratuito como sinônimo de recurso impositivo e de má qualidade, oferece ao leitor um suplemento ilustrativo dessa contribuição ao aperfeiçoamento do debate político nacional.

Um encarte na forma de quadrinhos, que almeja despertar o interesse decepcionante do distinto público pelo julgamento do chamado mensalão , condensa todo um coquetel tóxico de preconceito e generalização colegial. 

O conjunto está na raiz da infantilização e das deformações da vida política que o jornal critica. Aos bordões típicos do conservadorismo contra a instituição partidária, subjaz uma dissimulada genuflexão ao agonizante credo neoliberal, a saber: tudo o que não é mercado é corrupção; tudo o que não é mercado é ineficiente; tudo o que não é mercado é irrelevante, é descartável e suspeito.

Nada mais caricato do que uma caricatura que se presta a baratear a realidade para vender o peixe do conservadorismo obtuso e do atomismo social. 

Perto do ódio à política massificado pelo dispositivo midiático conservador, as deficiências efetivas do horário eleitoral são, ao contrário do que sugere a Folha, o mal menor.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A Unasul, afinal, existe.

 Texto extraído da agência Carta Maior

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18243&boletim_id=983&componente_id=15805

A Unasul, que até agora tinha mostrado eficácia em episódios políticos pontuais (quando contribuiu de maneira decisiva para evitar desdobramentos de ameaças golpistas no Equador de Rafael Correa e na Bolívia de Evo Morales), pode avançar, no campo econômico, mais do que qualquer outra instituição regional jamais conseguiu. Diante do vendaval da crise que varre as economias centrais, os países sul-americanos parecem ter se lançado a sério na busca de proteções próprias, sem ficar à espera de decisões alheias. O artigo é de Eric Nepomuceno, de Buenos Aires.

Na noite da quinta-feira passada, dia 11, uma discreta mesa de um restaurante de Puerto Madero, a região de Buenos Aires preferida pelos turistas endinheirados e os empresários enfastiados, abrigou dois senhores bem vestidos. Eles pediram um cardápio nada original: provoleta, aquela grossa fatia de provolone levemente derretida na grelha e coberta de azeite e orégano, um inevitável asado, salada e vinho de Mendoza.

Pareceriam dois senhores num típico jantar sem outra razão que a rotina e o protocolo, num restaurante acostumado a misturar novos ricos espalhafatosos e empresários discretos, se não fosse observado um detalhe: eram os ministros de Economia mais poderosos da América do Sul, o argentino Amado Boudou e o brasileiro Guido Mantega. O jantar foi, na verdade, uma espécie de ensaio final para ajustar os detalhes do que seria discutido no dia seguinte, durante a reunião de ministros de Economia e dos presidentes dos bancos centrais da Unasul, a União de Nações Sul-americanas, nome do bloco nascido em 2008 e que reúne os doze países sul-americanos.

Durante toda aquela quinta-feira técnicos das equipes econômicas dos governos da região esmiuçaram diferenças e divergências procurando limar os pontos mais ásperos e diminuir atritos no encontro da sexta-feira. A proposta da cúpula de ministros era estabelecer uma ação comum para que os países da região consigam enfrentar sem maiores danos a descabelada crise que sacode as economias, derrete as bolsas e espalha o pânico entre os países mais ricos do planeta.

A jornada seguinte – sexta-feira, 12 de agosto – foi extenuante. Apesar dos esforços dos técnicos, algumas divergências continuavam agudas. Afinal, um dos que mais insistiram na convocação do encontro havia sido o presidente da Colômbia, o conservador Juan Manuel Santos, cujo governo ainda vê com desconfiança as políticas econômicas de quase toda a região e continua vendo com bons olhos as diretrizes de um neoliberalismo que causou cataclismos num tempo não tão remoto da América do Sul.

Encontrar pontos de convergência entre os integrantes do bloco não é nada fácil, mas havia e há evidente boa vontade para que se chegue a bom porto.

No final, um balanço positivo: o Conselho de Economia da Unasul conseguiu superar diferenças ideológicas e avançar em acordos técnicos. O discurso de Mantega, perfeitamente afinado com o de Boudou, se manteve firme: a América do Sul está preparada para enfrentar a crise, em condições ainda melhores que as de 2008, e precisa buscar suas próprias armas e defesas para não se deixar levar de roldão.

Pondo de lado os difíceis detalhes da estratégia a ser traçada, um dado deve chamar a atenção: a Unasul, que até agora tinha mostrado eficácia em episódios políticos pontuais (quando contribuiu de maneira decisiva para evitar desdobramentos de ameaças golpistas no Equador de Rafael Correa e na Bolívia de Evo Morales), pode avançar, no campo econômico, mais do que qualquer outra instituição regional jamais conseguiu. Diante do vendaval da crise que varre as economias centrais, os países sul-americanos parecem ter se lançado a sério na busca de proteções próprias, sem ficar à espera de decisões alheias. Pela primeira vez, e apesar das diferenças e distâncias que separam os próprios integrantes do bloco, todos parecem em melhores condições do que os países centrais sacudidos pela crise. O grande desafio dos governos da América do Sul é, a partir de agora, sair da área dos discursos e declarações e passar à prática.

O primeiro passo a ser dado é encontrar equilíbrio entre políticas tão dispares como as conservadoras, aplicadas pelos governos do Chile e da Colômbia, e as radicais, defendidas pela Venezuela, a Bolívia e o Equador. E é aí que deve-se ressaltar a importância mediadora e o peso específico dos governos aos quais pertencem aqueles dois senhores que, na noite da quinta-feira, véspera do encontro, se contentaram com um cardápio prosaico num lugar de novos ricos.

Oxalá – o jantar e a escolha do lugar, e não o que disseram no dia seguinte – tenha sido um mero disfarce para suas verdadeiras intenções.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pedágios

Salve amigos do boteco!

Recebi hoje, por e-mail, a fatura do meu "Sem parar". Está certo, eu sei, com esse aparelinho eu ganho tempo e tiro alguns empregos. Mas, para quem usa estradas para trabalhar, alguns minutinhos ganhos significam alguns minutinhos na cama. Então, comprei o tal TAG.
Aqui temos um primeiro problema. O tal Sem Parar custa! E custa muito! R$ 60,00 e mais R$ 10,00 de mensalidade. Eu sei, eu sei, passando em 5 pedágios no mês, tem 50% de desconto nessa mensalidade e, como é fácil passar em 5 pedágios por mês, nunca vem mais de cincão mesmo.
Então vamos pensar em algumas coisas! Pagamos, toda vez que abastecemos nossos lindos carros nada baratos (mesmo os ditos populares) um imposto chamado CIDE (Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico ???????), correspondente à algo como R$ 0,50 por litro de combustível (não pode, por lei, ultrapassar o valor de R$ 0,89, ufa...). Não é pouco. E esse dinheiro serve justamente para conservação e ampliação da malha rodoviária! Então, aí vai a pergunta: Pedágio é ou não é dupla tributação? Cobrar um serviço que reduz os custos da operação do pedágio é ou não é dupla tributação? Ou tripla? Ou abuso? Ou falcatrua? Ou sacanagem?
O que é isso tudo? Tucanagem, claro!
A revolta aumenta cada vez que vejo os preços das praças de pedágio subirem de forma abusiva. Poxa, 10% de aumento contra uma inflação de 6%??? Meu salário não subiu tudo isso. O seu subiu??? Se sim, arruma uma vaguinha para mim nessa firma, por favor!
Temos diversar formas de protestar contra isso e, uma das que mais gosto é conhecida por desobediência civil! Podemos tentar usar os artifícios já ditos pela net para não pagar os tais pedágios, como passar na cola do carro da frente, bater na cancela que é de plástico ou espuma (e é mesmo), enfim... ou simplesmente podemos optar por vias secundárias para não gastarmos nosso rico dinheirinho com essa bandalheira Serrista-Alckmista com forte inspiração Covista! (procurem saber quem são os donos das empresas e rapidamente tomarão um susto...)
Então, proponho que procuremos alternativas às rodovias pedagiadas e divulguemos nos mais variados meios de comunicação. Que tal a internet e suas redes sociais?
Bom, para começar, vou copiar e reproduzir a fonte de duas praças que podem ser facilmente burladas!
Um forte abraço à todos e saúde!


1º Exemplo: Para driblar José Serra e o pedágio instalado no KM 269 da Rodovia Marechan Rondon, em Botucatu, vamos apresentar duas alternativas.

1)Você que mora no setor leste da cidade pode sair por Vitoriana até a rodovia SP 191,Geraldo Pereira de Barros, entra a esqueda e segue até São Manuel. Em termos de distância, não é muita vantagem, é o dobro da quilometragem (20 km a mais). Ma se seu veículo é a álcool, ainda vai sair um pouco mais barato, sem contar o incomensurável prazer de não dar dinheiro para o Zé Pedágio.

2)Outra alternativa para você que mora nos Setores Sul e Norte é sair pela Marechal Rondon e fazer o retorno na entrada para toledo. Depois, o motorista segue por esta estrada (Monte Alegre) até o trevo do Condomínio Cataneo Angelo, retornando para a Rondon. Segundo me informaram alguns navegantes, apesar do trecho de terra, a estrada está relativamente bem conservada.

Extraído so sítio http://trincheiradofacioli.blogspot.com/2009/10/rotas-alternativas-para-fugir-do.html

2º Exemplo: SP - Campinas (Anhanguera)

Primeiro Pedágio: Entrar na CASTELO BRANCO, seguir até o trevo de Santana de Parnaíba e acessar a Estrada dos Romeiros, passar o centro histórico, sempre seguindo o fluxo. Sairá na Anhanguera após o primeiro pedágio (Altura de Perus).

Pedágio de Valinhos: Acessar o trevo de VINHEDO, seguir pela avenida principal. Quando ela estreitar, pegue a primeira a esquerda. Siga o fluxo, por uma via de mão dupla. A Certa altura existirá uma entrada a esquerda com dois limitadores de largura, amarelos, nos cantos da via (impedem a passagem de caminhões). Seguir por esta via até Valinhos, acessar a avenida de duas pistas A ESQUERDA, retornar a Via Anhanguera.

Outros que conheço:

Pedágio de Limeira (Acesso a Rod.Washington Luiz - SP 310): Acessar o trevo de Limeira (Principal, ao lado da Rodas Fumagalli) seguir por essa via principal e acessar o Anel Viário de Limeira (Referência: Estádio Major José Levy Sobrinho - Limeirão). Siga o fluxo e atente-se a placas para Cordeirópolis (acesso a direita). Seguir por uma via de mão dupla, estará no trevo de Cordeirópolis já na Via W.Luiz.

Pedágio de Rio Claro/Corumbataí (preço ABSURDO no sentido Interior-Capital - Via W.Luiz): Vindo de S.Carlos, acesse o trevo de Corumbataí. Siga até a cidade, e siga placas para Rio Claro. Você acessará a Rodovia Nicolau Marotti, vicinal. Siga sempre em frente passando pelos distritos de Ferraz e Ajapi (Rio Claro). Fique atento a sinalização para a SP 191, acesse ela a rodovia a direita (placas para Rod.W.Luiz). Cerca de 3 a 5 km até encontrar a Rod.W.Luiz, é só acessá-la sentido Rio Claro/Cordeirópolis/Limeira.

Pedágio da Via Anchieta (SP-Santos em ritmo de aventura): Acesse a Rodovia Caminho do Mar - SP 148 no Km 29 (Placas p/ Ribeirão Pires e Suzano). Siga até o Km 37, vire a direita na Estrada da Chiboca, faça um belo off-road e economize quase 20 reais saindo na Anchieta bem a frente do pedágio.

Extraído do sítio: http://www.4x4brasil.com.br/forum/geral-off-topic/76914-escapar-de-pedagios-2.html

3º Exemplo: Botucatu - SP via Castelo Branco.

Furando o 1º pedágio: Saindo da terra do Saci, ainda na "Castelinho", saia no km 7, sentido Pardinho e trafegue por uma estradinha de pista simples, com bom asfalto e quase nenhum movimento até o trevo ao final dela, depois pegua à direita sentido Castelo e desça uma serrinha curta, mas com curvas muito acentuadas, vá devagar e aproveite para curtir as maravilhosas paisagens da região. Você sairá pouco depois do posto Rodo Stop e livrará R$10,00 do pedágio!
Furando o 2º pedágio: Pegue a saída para Porangaba (na placa "Último Retorno Antes do Pedágio", façamos isso então...) e vá até o trevo da entrada da cidade, uns 5 km. No trevo, entre a direita, sentido Cesário Lange e vá até esta cidadezinha. Chegando lá, basta seguir as placas sentido Castelo Branco. É bem sinalizada e o trecho urbano é bem pequeno. Mais R$ 10,00 economizados!
Pronto, sacaneamos o tucanato e economizamos um troco!
Esses eu mesmo fiz e vale muito!!!

Saúde, novamente!

domingo, 27 de março de 2011

Tentativa

A escrita se faz pelas inspirações
ações que se motivam pela mente
desorganizada, organizada, inquieta
na procura de explicações
sobre o que nem se procura

Tento escrever qualquer coisa
que motive meus em amigos a leitura
que aguce os sentidos dos desconhecidos
e que não tenha, de preferência, o menor sentido

O hábito faz a prática
e a prática faz o cotidiano
cheio de novidades e mesmices
que enchem nossa alma de um vazio

Vazio cheio de mistérios
de crises e anseios
Vazio vazio de certezas
e de mordibez e marasmos

Não pretendo ser objetivo
nem tampouco muito vago
mas o reflexo de meus dias
se remontam nesses versos

Um abraço à quem leu
e um aperto de mão à quem por aqui passou...

quinta-feira, 24 de março de 2011

O ressurgimento

Salve amigos botequeiros!

Eu costumava começar mandando um salve aos filósofos, mas, pensando bem, em um boteco quem não é filósofo?

Hoje resolvi dar uma passada por aqui mais para tentar me animar a voltar a escrever do que para comentar um assunto específico. Na verdade não tenho nada a dizer, mas vou exercitar minha capacidade de escrever nada sobre coisa nenhuma. É muito bom, vocês deveriam experimentar.

Na verdade, algumas coisas me instigaram a retomar a vida blogueira. Alguns alunos que perguntam sobre o blog, uma amiga que me visitou por aqui e descobri sem querer, pelo computador dela... isso acabou me motivando e resolvi voltar. Além disso, estava preparando aula e, sempre que estou fazendo isso, resolvo achar outras coisas pra fazer. Mania velha essa, começo muita coisa e não termino nada! Dizem por aí que sou hiper-ativo... Mas, estou disposto a mudar isso e pretendo terminar esse texto e depois a aula! rs

Além disso, minha vida tem-se feito, nesses últimos dias, de angústias intermináveis por questões muito específicas minhas. Mas não vim aqui para compartilhá-las e sim para buscar um espaço para distrair a mente. Na real, nunca achei que usaria esse blog como um desabafo virtual, mas está sendo bom. Tenho tentado me organizar nesse turbilhão de fatos e informações que se move ao meu redor.

Outro fato que talvez tenha tido influência é minha completa alienação. Enfiei-me em um casulo e não sei de quase nada que acontece ao arredor do mundo.

Tentarei publicar algo mais organizado, alguma ideia mais concreta amanhã ou sábado. Prometi pra mim mesmo que darei este final de semana para ajustar minha cabeça e nada melhor do que um momento de reflexão filosófico-virtual!

E, para encerrar, vou deixar uma letra de uma música que gosto bastante que talvez expresse um pouco do que estou sentindo, ou não...

Um brinde à todos!
Saúde!

(nada pessoal contra o Fagner, mas o mérito é do Gonzaguinha, mesmo...  rs)
Aí vai o link da música: http://youtu.be/e_4IcYGsr8o


UM HOMEM TAMBÉM CHORA - GONZAGUINHA
.
Um homem também chora
Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas...
.
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura...
.
Guerreiros são pessoas
Tão fortes, tão frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo do peito...
.
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sonho
Que os tornem refeitos...
.
É triste ver meu homem
Guerreiro menino
Com a barra do seu tempo
Por sobre seus ombros...
.
Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
A dor que tem no peito
Pois ama e ama...
.
Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E vida é trabalho...
.
E sem o seu trabalho
O homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata...
.
Não dá prá ser feliz
Não dá prá ser feliz...
.
É triste ver meu homem
Guerreiro menino
Com a barra de seu tempo
Por sobre seus ombros...
.
Eu vejo que ele sangra
Eu vejo que ele berra
A dor que tem no peito
Pois ama e ama...
.
Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E vida é trabalho...
.
E sem o seu trabalho
O homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata...
.
Não dá prá ser feliz
Não dá prá ser feliz...
.
Não dá prá ser feliz
Não dá prá ser feliz
Não dá prá ser feliz...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O tal do texto!

E por falar em censura…

Maria Rita Kehl é demitida do Estadão após coluna contra o obscurantismo. Foto: José Patrício/ AE
.
Maria Rita Kehl é demitida do Estadão após coluna contra o obscurantismo
A liberdade de expressão é um direito universal ou só de uma casta? O Estado de S. Paulo, ao que parece, escolheu a segunda opção. O mesmo jornal que informa diariamente aos seus leitores o número de dias que está supostamente sob censura, decidiu enviar ao gulag a colunista Maria Rita Kehl.
Renomada psicanalista, ela mantinha coluna regular aos sábados no jornal. Até que no dia 2 de outubro ousou publicar um artigo intitulado “Dois pesos”. Passados quatro dias, Rita Kehl recebeu um aviso: sua coluna seria extinta. Surpresa, pediu reconsideração. Mais surpresa ainda, deu-se conta de que o assunto já corria pela internet como rastilho de pólvora.
Na quarta-feira 6, ela estava demitida e o assunto era um dos mais comentados pela rede. No dia seguinte, chegou a ocupar o topo da lista dos mais falados pelo Twitter no mundo e manteve a liderança entre os brasileiros.
Para compreender o ocorrido é inevitável ler o texto. É um libelo contra o preconceito disseminado pela internet e comum entre a “minoria branca”, durante as semanas finais de campanha eleitoral. Com a percepção aguçada de psicanalista, desmontava as “correntes” que descreviam “casos verídicos” a comprovar que os programas sociais do governo federal formavam seres vagabundos e incapazes de votar de forma qualificada.
Com argumentos irretocáveis, Rita Kehl concluía seu artigo: “Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos”.
O diretor de conteúdo do Grupo O Estado de S. Paulo, Ricardo Gandour, afirmou à imprensa que não houve censura, mas revezamento de colunistas.
Entendemos que o Estadão, como empresa particular, tem o direito de escolher quem escreve em suas páginas. Fica acertado, porém: o jornal paulista não deve mais se valer do epíteto de publicação independente ou pluralista.

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Agora o texto anterior à guilhotina...

Dois pesos…

Por Maria Rita Kehl, para o O Estado de S.Paulo Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.