sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O tal do texto!

E por falar em censura…

Maria Rita Kehl é demitida do Estadão após coluna contra o obscurantismo. Foto: José Patrício/ AE
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Maria Rita Kehl é demitida do Estadão após coluna contra o obscurantismo
A liberdade de expressão é um direito universal ou só de uma casta? O Estado de S. Paulo, ao que parece, escolheu a segunda opção. O mesmo jornal que informa diariamente aos seus leitores o número de dias que está supostamente sob censura, decidiu enviar ao gulag a colunista Maria Rita Kehl.
Renomada psicanalista, ela mantinha coluna regular aos sábados no jornal. Até que no dia 2 de outubro ousou publicar um artigo intitulado “Dois pesos”. Passados quatro dias, Rita Kehl recebeu um aviso: sua coluna seria extinta. Surpresa, pediu reconsideração. Mais surpresa ainda, deu-se conta de que o assunto já corria pela internet como rastilho de pólvora.
Na quarta-feira 6, ela estava demitida e o assunto era um dos mais comentados pela rede. No dia seguinte, chegou a ocupar o topo da lista dos mais falados pelo Twitter no mundo e manteve a liderança entre os brasileiros.
Para compreender o ocorrido é inevitável ler o texto. É um libelo contra o preconceito disseminado pela internet e comum entre a “minoria branca”, durante as semanas finais de campanha eleitoral. Com a percepção aguçada de psicanalista, desmontava as “correntes” que descreviam “casos verídicos” a comprovar que os programas sociais do governo federal formavam seres vagabundos e incapazes de votar de forma qualificada.
Com argumentos irretocáveis, Rita Kehl concluía seu artigo: “Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos”.
O diretor de conteúdo do Grupo O Estado de S. Paulo, Ricardo Gandour, afirmou à imprensa que não houve censura, mas revezamento de colunistas.
Entendemos que o Estadão, como empresa particular, tem o direito de escolher quem escreve em suas páginas. Fica acertado, porém: o jornal paulista não deve mais se valer do epíteto de publicação independente ou pluralista.

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Agora o texto anterior à guilhotina...

Dois pesos…

Por Maria Rita Kehl, para o O Estado de S.Paulo Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.
Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.
Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.
Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.
O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.
Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.
Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

Dois pesos, duas medias e nenhuma verdade!

Dois pesos, duas medias e nenhuma verdade!

Um salve aos amigos filósofos e/ou botequeiros! Um salve também aos que não são nenhum, nem outro e aos que não são nem amigos. Afinal, em tempos de mentiras explícitas publicadas como verdades inquestionáveis, eu quero deixar bem claro que não excluo ninguém do direito de ler meu blog. E, já que também é moda, vou deixar claro minha opção política: Sou À FAVOR de todos que são CONTRA o candidato da oposição elitista medíocre, José Serra! Mas, seguindo a tendência modista criada pelo "O Estado de São Paulo", queria dizer que este blog é democrático e dá espaço para as opiniões díspares (óbvio, com uma pitadinha de manipulação, assim como o veículo que inspira meu desejo democrático...) no que tange o assunto política.
Queridos filósofos, botequeiros e outros, o que me levou à escrita deste texto, interrompendo outro sobre minhas impressões à respeito das eleições (que será publicado em breve, espero) foi a notícia que navega pelos mares da internet: Maria Rita Kehl, uma grande psicanalísta, da maior seriedade, foi demitida do jornal onde trabalhava, o já citado "Estadão", por apresentar uma opinião contrária ao que esses quase-jornalistas costumar se alinhar. Elogiou o programa de combate à miséria esclarecendo que muito do que circula por essas bandas (para a citada elite mais larga que a discada pobretona...) aqui é meia verdade ou verdade nenhuma. Precisamos acabar com a hipocrisia que nos toma conta e entendermos que o nosso sistema político não dá conta de empregar os nossos 30 milhões de miseráveis. E eles não o são porque querem! Ou alguém aqui, de verdade mesmo, do fundo do coração, acredita que o coitado que estuda em uma escola pública da periferia de São Paulo ou de qualquer outra cidade do Estado ou país tem as mesmas condições de conquistar um bom emprego ou uma vaga nos campos da Medicina Uspiana que o filhinho de papai e mamãe podre de ricos que bancam quase 3 mil reais para estudar no consagrado colégio Vértice de São Paulo? Vamos lá, exercício de cidadania e de realismo!
Vou publicar, na sequência, o texto produzido pelo revista Carta Capital, à respeito de Maria Rita Kehl e o texto produzido pela mesma que resultou em sua degola.
Abraços meus amigos e não-amigos e que aqueles não se tornem estes por conta desse texto!

domingo, 3 de outubro de 2010

Indignação política ou sobre política

Que sistema eleitoral é esse que um cara com votos de 38% dos eleitores do Estado é eleito em 1º turno????? Isso é absurdo!!! Reforma eleitoral já!!!!

sábado, 18 de setembro de 2010

Tiririca NÃO!

Vou, a princípio, deixar essa leitura de recomendação. Em breve pretendo escrever algo sobre o assunto.
O importante é não permitirmos que bestas como esse Tiririca sejam eleitos!

E saúde!

http://blogsidcerveja.blogspot.com/2010/09/o-cobrador-de-onibus-e-o-tiririca-na.html?spref=tw

quinta-feira, 8 de julho de 2010

20 anos sem João Saldanha

Por Paulo Kautscher
Em 12 de julho de 1990, portanto, há vinte anos, falecia na UTI do Hospital Santo Eugênio, em Roma, vítima de insuficiência respiratória e embolia pulmonar, João Saldanha, camarada admirado por todo o coletivo partidário em virtude de sua dedicação à luta pelo socialismo e o comunismo em nosso país. Aos interesses populares e nacionais, para cuja realização o PCB sempre empregou o melhor de suas energias, pagando um alto preço desde março de 1922, Saldanha entregou sua inteligência, caráter e valentia, comprometendo gravemente sua saúde.
Em 1935, aos dezoito anos de idade, João e seu irmão Aristides aderiram ao programa da Aliança Nacional Libertadora, atraídos pelo movimento internacional de resistência ao nazi-fascismo e de combate aos planos belicistas do imperialismo alemão. Do antifascismo, Saldanha evoluiu ideologicamente até aderir ao marxismo-leninismo.
945, pouco após o estabelecimento de relações diplomáticas do Brasil com a União Soviética e a libertação de mais de cem militantes comunistas, Saldanha ingressou no Partido, passando a atuar num dos Comitês Populares Democráticos criados pelo Partido, organizações de massa incumbidas de organizar um vasto conjunto de atividades. Saldanha também ingressou no Movimento Unificador dos Trabalhadores (MUT), organização intersindical que resultou da aliança de comunistas e getulistas. Aos 28 anos de idade, Saldanha era o mais jovem secretário político dos comitês distritais do PCB, no Distrito Federal. Em maio de 1947, a ilegalização do Partido representou um duríssimo golpe para o proletariado brasileiro, travando, pela violência, o movimento de elevação da sua consciência e da sua organização. Em abril de 1949, tendo sido ferido à bala pela polícia, durante uma atividade de protesto contra a fundação da OTAN e os preparativos da III Guerra Mundial, Saldanha tornou-se funcionário do Partido. Nesta condição, ele assumiu tarefas de grande envergadura e responsabilidade no Estado do Paraná e no Estado de São Paulo, tanto na luta contra a grilagem de terra, na organização de sindicatos no campo, quanto na aplicação da nova linha política para o trabalho sindical, nos anos de 1952-1953, e que culminou na greve histórica de março de 1953. Numa situação política mais favorável, a partir de 1956, Saldanha projetou-se como grande personalidade do desporto nacional, conquistando a admiração popular. Em 1960, afastando-se do exercício direto das atividades esportivas, Saldanha assumiu importante tarefa na imprensa de massa do Partido. Não demorou a ingressar no jornalismo esportivo, assumindo um papel de liderança inegável. O Golpe de 1964 encontrou-o no jornal Última Hora, veículo odiado pela reação e o imperialismo. Vítima, como tantos outros, da ação de delatores, Saldanha foi demitido da Rádio Nacional. O exercício da atividade de comentarista de futebol, na condição de mais brilhante e influente do país, jamais o afastou do PCB. Justamente por representar um obstáculo aos objetivos demagógicos da ditadura militar, Saldanha foi demitido do cargo de treinador do escrete nacional, em março de 1970.
Nos períodos mais difíceis para o Partido, quando o regime fascista buscava exterminá-lo, Saldanha, valendo-se dos meios proporcionados por sua profissão, prestou valiosa contribuição nas tarefas de enlace entre a direção no país e o Comitê Central no exterior. A partir de 1978, cumpriu diversas tarefas de envergadura à frente do CEBRADE, com vistas ao apoio à luta de massas pelo derrubamento da ditadura militar. Num momento de eclosão da gravíssima crise ideológica e de organização, após o retorno dos membros do CC, Saldanha rechaçou as posições do eurocomunismo, aproximando-se de Luiz Carlos Prestes, mas não abdicando da luta pela unidade partidária. Em 1985, na sequência de uma série de tarefas de agitação pela conquista da legalidade do Partido, nos estertores do fascismo, e apesar da saúde precária, Saldanha aceitou a missão de representar o PCB na chapa de esquerda nas eleições para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Concorrendo ao cargo de vice-prefeito, Saldanha contribuiu para a conquista de expressiva votação. Quando morreu em julho de 1990, Saldanha era membro do Comitê Central. Saldanha, coerente com a visão humanista do futebol, foi um extraordinário desportista, símbolo do mais puro amadorismo, e maior jornalista esportivo de nossa história.
A recordação deste grande brasileiro, patriota e revolucionário proletário, passados vinte anos de sua morte, deve servir-nos de exemplo de conduta partidária. A ação do Partido, objetivando a educação política da classe operária e das massas populares, inseparáveis da elevação de sua organização e mobilização, é uma ação coletiva. É no processo da luta de classes que o Partido cria raízes no povo, e, ao mesmo tempo, educa e tempera cada um dos seus membros. Saldanha, como honesto e dedicado militante partidário, sabia que a força do Partido resulta de uma justa linha política e do trabalho real, concreto, junto às massas trabalhadoras. A recordação da atividade de Saldanha, no seio do Partido, deve servir-nos de estudo e estímulo para o cumprimento dos objetivos do PCB, nos dias atuais, caracterizados por complexa e difícil correlação de forças, com tantas dificuldades a vencer na conquista da unidade e da mobilização das massas proletárias contra o jugo do capital.
Julho de 2010.

Fonte  http://pcb.org.br/portal/

terça-feira, 6 de julho de 2010

Será que o problema é o bolsa família???

Judiciário quer reajuste de 56% e salário de quase R$ 9 mil para copeiro
Os tribunais superiores do país se propõem a pagar até R$ 8.479,71 a funcionários que têm apenas instrução fundamental e desempenham funções de apoio, como copeiros, contínuos ou operadores de copiadora. O salário inicial é de R$ 3.615,44.
Essa situação será criada pela aprovação de um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional. A proposta dá um reajuste médio de 56% aos funcionários do Judiciário. Com ele, profissionais de nível técnico poderão ganhar até R$ 18.577,88 e os de nível superior, R$ 33.072,55 – acima do teto do serviço público, que é de R$ 26.723,13.
O principal argumento dos funcionários do Judiciário para obter o reajuste é que seus salários estão defasados em relação aos dos colegas do Executivo e do Legislativo. Contudo, se os reajustes foram concedidos, os funcionários do nível técnico e auxiliar ganharão mais do que o equivalente no Executivo, o que é inconstitucional.
O projeto de lei foi enviado ao Congresso em dezembro passado, com a assinatura de todos os presidentes de tribunais superiores. Em maio, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, visitou o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).
O custo estimado dos reajustes no Judiciário, que variam de 52,88% a 81,85%, é de pelo menos R$ 6,4 bilhões e beneficia 100 mil pessoas. Em comparação, o aumento de 7,72% das aposentadorias acima de um salário mínimo, sancionado semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, beneficia 8,4 milhões de pessoas e custará R$ 8,3 bilhões no total.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Vamos pensar na Universidade Pública

Por uma universidade pública

TENDÊNCIAS/DEBATES
FRANCISCO DE OLIVEIRA, PAULO ARANTES, LUIZ MARTINS e J. SOUTO MAIOR

A dificuldade econômica da universidade pública na atualidade é fruto de uma negligência proposital do Estado com o ensino público
O reitor da Universidade de São Paulo publicou neste espaço (“Mecenato e universidade” , 10/6) artigo com alguns argumentos que precisam ser democraticamente contrapostos. Para ele, os problemas da USP partem de uma razão econômica.
A saída que expõe é uma contradição em termos: o ingresso de dinheiro privado para a melhoria da universidade pública. Para proteger a universidade pública, que é melhor que a privada, diz que a universidade pública deve abrir suas portas para o dinheiro privado.
No fundo, o que a sua solução esconde é a tentativa de privatizar o ensino público. Ora, não se tendo conseguido fazer com que as entidades privadas prevalecessem no cenário educacional, busca-se fazer com que o ensino público forneça o material humano necessário para os fins da iniciativa privada.
A dificuldade econômica pela qual passa a universidade pública é fruto de uma negligência proposital do Estado com o ensino público, que se pretende compensar com o investimento privado.
Este último cria, na verdade, uma perigosa promiscuidade que desvirtua a razão de ser do ensino público, que deve se voltar para os problemas sociopolítico- econômicos gerais do país.
Mas mais grave ainda é a forma pela qual se vislumbra tal “parceria”. Na Faculdade de Direito, ela se fez para duvidosas reformas arquitetônicas que nada acrescentaram à melhoria do ensino. Além disso, para se chegar a tanto, foram desrespeitados diversos preceitos da ordem jurídica. O que o reitor chama de “modernização” constituiu grave ilegalidade.
Cumpre resgatar o respeito à ordem jurídica, ainda mais à luz do grotesco episódio de transposição dos livros das bibliotecas departamentais, da noite para o dia, para um prédio desprovido de condições, e cuja devolução ao local de origem, por determinação do Ministério Público, vem se arrastando há mais de três semanas…
Tais ilegalidades justificariam um processo de improbidade administrativa contra o reitor, que, além do mais, em entrevista recente à Rede Bandeirantes, referiu-se à USP, faltando com o decoro acadêmico mínimo, como “terra de ninguém”, “tomada por invasores” e “assemelhada a morros do Rio de Janeiro”, em vias de “virar um Haiti”.
O grande passo que precisa ser dado pela USP é a sua reestruturação, buscando a democratização interna e externa, mediante o voto universal, condição para uma estatuinte e um processo rumo à superação do vestibular, visando o acesso universalizado à universidade pública, tal como é no México e na Argentina há quase um século.
O reconhecimento republicano da igualdade de voto e de cidadania de professores, estudantes e trabalhadores supõe o respeito pleno às manifestações dos servidores que legitimamente lutam por direitos.
A reitoria afirma que os trabalhadores em greve estão cometendo uma ilegalidade e comete o abuso de cortar o ponto de mil servidores, mirando com suas punições principalmente alguns de menor salário.
Mas a greve é um direito fundamental consagrado e, sobretudo, se justifica quando os trabalhadores são atingidos, na sua concepção, por ilegalidades cometidas pelo empregador. Negar a greve como um direito e fixar represálias ou coações constitui, por si, um grave atentado à democracia.
Todos os que prezam o regime democrático devem se alinhar com os trabalhadores da USP, que fazem história com suas lutas, contribuindo vivamente para a democratização da universidade, tal como os operários do ABC que, nos idos de 1978-80, desafiaram publicamente a repressão e levaram à reconstrução da ordem jurídica do país.

FRANCISCO DE OLIVEIRA é professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP).
PAULO ARANTES é professor da FFLCH-USP. LUIZ RENATO MARTINS é professor da Escola de Comunicações e Artes da USP.
JORGE LUIZ SOUTO MAIOR é professor associado da Faculdade de Direito da USP.

Original em: http://www.dceunicamp.org.br/campanhaunificada/?p=26

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ação Social em Max Weber

 Salve, salve molecada!

Aí vai um textinho para auxiliá-los nos estudos de sociologia!

Em breve mais!

http://contextopolitico.blogspot.com/2008/12/as-teorias-da-ao-social-de-weber-ao.html

Abraços e bons estudos

quarta-feira, 19 de maio de 2010

VEJA que mentira!

Salve à todas e à todos! (vamos inverter esta lógica machista que vinha usando...)

É com grande satisfação que trago a vocês mais uma prova das mentiras publicadas pela revista sensacionalista de quinta categoria (me perdoem as revistas de quinta categoria pela comparação, sei que vocês são melhores, é que falta a classificação "sexta categoria") da Editora Abril.

Tal semanário, a Zóia, constantemente assume um papel de defensora dos valores morais do povo brasileiro (só pode ser brincadera...) e esquece que mentira, adulteração, invenção e outras atitudes comuns em suas publicações fogem de todo e qualquer padrão moral já estabelecido.

Em edição recente, criticaram veementemente e desrespeitosamente, o trabalho dos antropólogos brasileiros (será que a Zóia não entende de Antropologia????  Pode ser, né????) no ridículo texto "A farra da antropologia oportunista" (título que, por si só, já é oportunista...) e, óbvio, não assumiu ou deu o mesmo espaço para que os citados se defendessem. Para a nossa sorte, a internet "concedeu" tal espaço.

Então vamos lá, neste sítio encontram-se o texto da pífia revista, e as declarações de defesesa do antropólogo citado por ela (Eduardo Viveiros de Castro) e de diversos órgãos ligados aos membros ofendidos.
http://sites.google.com/site/nappufrrj/dossies/revista-veja

Um abraço e boa leitura!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

122 anos. O fim da escravidão e o recomeço dos problemas.

Salve à todos e à todas!

Como a falta de tempo tem me impedido de escrever, vou recorrer mais uma vez a veiculação de textos de outras pessoas. 

Segue aqui, um texto encontrado em um blog (http://blogdosakamoto.uol.com.br/) de um jornalista bastante engajado (é o que se nota pelos textos) e que vale a pena dar uma olhada.

O assunto é importante e atual e, com certeza, merece mais espaço para discussão do que o encontrado hoje...


Leiam, comemtem, opinem...

Abraços meus caros!!

 

Lei Áurea, 122. Conheça o escravo de hoje

Há exatos 122 anos, era declarada ilegal a propriedade de um ser humano sobre outro no Brasil.
Contudo, a Lei Áurea – curta, grossa e lacônica – não previu nenhuma forma de inserir milhões de recém-libertos como cidadãos do pais, muitos menos alguma compensação pelos anos de cárcere para que pudessem começar uma vida independente. Para substituir os escravos, veio a imigração de mão-de-obra estrangeira, agora assalariada. Os fazendeiros não precisavam mais comprar trabalhadores, podiam apenas pagar-lhes o mínimo necessário à subsistência. Ou nem isso.
Enquanto isso, o trabalho escravo moderno deu lugar a formas contemporâneas de escravidão, em que trata-se o trabalhador como animal, explora-se sua força física aos limites da exaustão e cria-se maneiras de prendê-lo à terra, seja por dívidas ilegais, seja por qualquer outra forma. Para isso, são usadas ameaças e violência como estratégias de convencimento. No passado, sentiram isso na pele imigrantes europeus nos cafezais do Sudeste e migrantes nordestinos nos seringais do Norte. Ainda hoje, são vitimas da escravidão contemporânea milhares de trabalhadores pobres em fazendas de gado, soja, algodão, milho, arroz, cana-de-açúcar, carvoarias, oficinas de costura, pátios de obras de hidrelétricas.
Qual o perfil desse escravo de hoje? Desde 1995, quando o governo federal criou os grupos móveis de fiscalização que verificam denunciam e libertam trabalhadores, 37.205 foram oficialmente retirados dessas condições. Se considerarmos os trabalhadores rurais resgatados entre 2003 e 2009 (descontando o trabalho escravo urbano e o voltado para exploração sexual), temos Maranhão, Pará, Bahia e Mato Grosso do Sul como principais fontes de escravos; uma maioria de homens (95%); a ausência de formação – 40% analfabetos e 28% apenas com a 4ª série incompleta; 63% entre 18 e 34 anos – ou seja, no auge de sua força física, podendo entregá-la aos empregadores.
Saem de regiões pobres para procurar empregos em outros lugares fugindo da pobreza e da falta de oportunidades melhores. A fronteira agrícola amazônica tem sido, historicamente, Pará à frente, o principal destino desses trabalhadores. O município de São Félix do Xingu (PA) é campeão no número de casos de fiscalização desse crime. A fazenda e usina Pagrisa, em Ulianópolis (PA), foi palco da maior libertação até agora com 1.064 pessoas resgatadas. Mas resgates já foram realizados do Rio Grande do Sul a Roraima, passando por São Paulo e Rio de Janeiro, mostrando que o problema é nacional.
Vamos dar um passo atrás e ver e ver de onde vem essa herança maldita. Em 1850, o governo brasileiro finalmente adota ações eficazes para coibir o tráfico transatlântico de escravos após pressão inglesa. Nos anos seguintes, foram tomadas medidas que libertaram crianças e sexagenários. O que, na verdade, serviu apenas como distrações para postergar o fim da escravidão. Os escravos que conseguiam chegar aos 60 anos já não tinham condições de trabalho e eram um “estorvo” financeiro para muitos fazendeiros que os sustentavam. Já os filhos dos escravos não possuíam autonomia para viver sozinhos. Muitos, até completarem 18 anos, foram tutelados (e explorados) pelos proprietários de seus pais.
Mas, por mais que fosse postergada, com o fim do tráfico transatlântico, a propriedade legal sob seres humanos estava com os dias contados. Em questão de anos, centenas de milhares de pessoas estariam livres para ocupar terras virgens – que o país tinha de sobra – e produzir para si próprios em um sistema possivelmente de campesinato. Quem trabalharia para as fazendas? Como garantir mão-de-obra após a abolição total?
Vislumbrando que, mantida a estrutura fundiária do país, o final da escravidão poderia representar um colapso dos grandes produtores rurais, o governo brasileiro criou meios para garantir que poucos mantivessem acesso aos meios de produção. A Lei de Terras foi aprovada poucas semanas após a extinção do tráfico de escravos, em 1850, e criou mecanismos para a regularização fundiária. As terras devolutas passaram para as mãos do Estado, que passaria a vendê-las e não cedê-las como era feito até então. O custo da terra começou a existir, mas não era significativo para os então fazendeiros, que dispunham de capital para a ampliação de seus domínios – ainda mais com os excedentes que deixaram de ser invertidos com o fim do tráfico. Porém, era o suficiente para deixar ex-escravos e pobres de fora do processo legal. Ou seja, mantinha a força de trabalho à disposição.
As legislações que se sucederam a ela e trataram do assunto apenas reafirmaram medidas para garantir a existência de um contingente reserva de mão-de-obra sem acesso à terra, mantendo baixo o nível de remuneração e de condições de trabalho. Com a Lei de 1850 estava formatada uma nova estrutura – em substituição àquela que seria extinta em maio de 1888 – para sujeitar os trabalhadores.
O fim da escravidão não representou a melhoria na qualidade de vida de muitos trabalhadores rurais, uma vez que o desenvolvimento de um número considerável de empreendimentos continuou a se alimentar de formas de exploração semelhantes ao período da escravidão como forma de garantir uma margem de lucro maior ao empreendimento ou mesmo lhe dar competitividade para a concorrência no mercado. Governo e sociedade têm obtido vitórias no combate a esse crime, atacando o tripé que o sustenta (impunidade, ganância e pobreza). Mas sua erradicação ainda é um sonho distante.
Para além dos efeitos da Lei Áurea que completa 122 anos, trabalhadores rurais do Brasil ainda vivem atualmente sob a ameaça do cativeiro. Mudaram-se os rótulos, ficaram as garrafas.

sábado, 8 de maio de 2010

Texto de Maria Rita Kehl - Vale a pena ler

Segue, na íntegra.

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Tortura, por que não?

01 de maio de 2010 | 0h 00

Maria Rita Kehl - O Estado de S.Paulo
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O motoboy Eduardo Pinheiro dos Santos nasceu um ano depois da promulgação da lei da Anistia no Brasil, de 1979. Aos 30 anos, talvez sem conhecer o fato de que aqui, a redemocratização custou à sociedade o preço do perdão aos agentes do Estado que torturaram, assassinaram e fizeram desaparecer os corpos de opositores da ditadura, Pinheiro foi espancado seguidas vezes, até a morte, por um grupo de 12 policiais militares com os quais teve o azar de se desentender a respeito do singelo furto de uma bicicleta. Treze dias depois do crime, a mãe do rapaz recebeu um pedido de desculpas assinado pelo comandante-geral da PM. Disse então aos jornais que perdoa os assassinos de seu filho. Perdoa antes do julgamento. Perdoa porque tem bom coração. O assassinato de Pinheiro é mais uma prova trágica de que os crimes silenciados ao longo da história de um país tendem a se repetir. Em infeliz conluio com a passividade, perdão, bondade, geral.
Encararemos os fatos: a sociedade brasileira não está nem aí para a tortura cometida no País, tanto faz se no passado ou no presente. Pouca gente se manifestou a favor da iniciativa das famílias Teles e Merlino, que tentam condenar o coronel Ustra, reconhecido torturador de seus familiares e de outros opositores do regime militar. Em 2008, quando o ministro da Justiça Tarso Genro e o secretário de Direitos Humanos Paulo Vannuchi propuseram que se reabrisse no Brasil o debate a respeito da (não) punição aos agentes da repressão que torturaram prisioneiros durante a ditadura, as cartas de leitores nos principais jornais do País foram, na maioria, assustadoras: os que queriam apurar os crimes foram acusados de ressentidos, vingativos, passadistas. A culpa pela ferocidade da repressão recaiu sobre as vítimas. A retórica autoritária ressurgiu com a força do retorno do recalcado: quem não deve não teme; quem tomou, mereceu, etc. A depender de alguns compatriotas, estaria instaurada a punição preventiva no País. Julgamento sumário e pena de morte para quem, no futuro, faria do Brasil um país comunista. Faltou completar a apologia dos crimes de Estado dizendo que os torturadores eram bravos agentes da Lei em defesa da - democracia. Replico os argumentos de civis, leitores de jornais. A reação militar, é claro, foi ainda pior. "Que medo vocês (eles) têm de nós."
No dia em que escrevo, o ministro Eros Graus votou contra a proposta da OAB, de revisão da Lei da Anistia no que toca à impunidade dos torturadores. Para o relator do STF, a lei não deve ser revista. Os torturadores não serão julgados. O argumento de que a nossa anistia foi "bilateral" omite a grotesca desproporção entre as forças que lutavam contra a ditadura (inclusive os que escolheram a via da luta armada) e o aparato repressivo dos governos militares. Os prisioneiros torturados não foram mortos em combate. O ministro, assim como a Advocacia Geral da União e os principais candidatos à Presidência da República sabem que a tortura é crime contra a humanidade, não anistiável pela nossa lei de 1979. Mas somos um povo tão bom. Não levamos as coisas a ferro e fogo como nossos vizinhos argentinos, chilenos, uruguaios. Fomos o único país, entre as ferozes ditaduras latino-americanas dos anos 60 e 70, que não julgou seus generais nem seus torturadores. Aqui morrem todos de pijamas em apartamentos de frente para o mar, com a consciência do dever cumprido. A pesquisadora norte-americana Kathrin Sikking revelou que no Brasil, à diferença de outros países da América latina, a polícia mata mais hoje, em plena democracia, do que no período militar. Mata porque pode matar. Mata porque nós continuamos a dizer tudo bem.
Pouca gente se dá conta de que a tortura consentida, por baixo do pano, durante a ditadura militar é a mesma a que assistimos hoje, passivos e horrorizados. Doença grave, doença crônica contra a qual a democracia só conseguiu imunizar os filhos da classe média e alta, nunca os filhos dos pobres. Um traço muito persistente de nossa cultura, dizem os conformados. Preço a pagar pelas vantagens da cordialidade brasileira. "Sabe, no fundo eu sou um sentimental (...). Mesmo quando minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar/ Meu coração fecha os olhos e sinceramente, chora." (Chico Buarque e Ruy Guerra).
Pouca gente parece perceber que a violência policial prosseguiu e cresceu no País porque nós consentimos - desde que só vitime os sem-cidadania, digo: os pobres. O Brasil é passadista, sim. Não por culpa dos poucos que ainda lutam para terminar de vez com as mazelas herdadas de 21 anos de ditadura militar. É passadista porque teme romper com seu passado. A complacência e o descaso com a política nos impedem de seguir frente. Em frente. Livres das irregularidades, dos abusos e da conivência silenciosa com a parcela ilegal e criminosa que ainda toleramos, dentro do nosso Estado frouxamente democratizado.

Enquanto isso em Portugal...

Salve à todos e à todas!
 
Para aqueles que pensam que problemas existem só por cá (como diriam nossos irmãos portugueses), vejam o que estão falando por lá...
 
Abraços e um ótimo final de semana! 
 
E agora, quem paga a crise?
07-Mai-2010
Pedro Filipe SoaresÉ razoavelmente universal a consideração de que foram os bancos e os especuladores financeiros os responsáveis pela crise que vivemos. Foi a cegueira pelo lucro e a desregulação dos mercados financeiros que criaram as condições para que existisse tamanha irresponsabilidade dos bancos, ao ponto de colocar em risco a economia real. É a esta ganância que temos de agradecer a enorme quantidade de homens e mulheres desempregados em Portugal.
Os homens e as mulheres que foram atirados para o desemprego com o encerramento de empresas e fábricas por todo o país são as primeiras vítimas desta crise. São eles quem já pagou, com o seu posto de trabalho, a primeira grande factura da crise financeira. A segunda factura foi paga por todos nós, com os apoios massivos que os estados deram aos bancos, tapando enormes buracos financeiros e colocando os défices públicos em situação de risco.
Seguindo da consideração que existem culpados para a crise que vivemos, como em muitas outras coisa na vida, seria de esperar que os chamássemos à razão e os obrigássemos a assumir as suas responsabilidades. Afinal de contas, eles é que fizeram a asneira que nós temos de limpar, com um preço que ainda não conhecemos na totalidade, mas já percebemos que será muito elevado.
As notícias recentes trazem-nos uma reafirmação do Bloco Central. José Sócrates e Pedro Passos Coelho reúnem-se numa Santa Aliança que vira baterias contra os portugueses, particularmente os desempregados, para que sejam eles a pagar esta crise.
O que vemos com as palavras de José Sócrates e de Pedro Passos Coelho é que eles têm uma opinião diferente da nossa. Para eles, os culpados da crise são os trabalhadores que ficaram desempregados e, por isso mesmo, são eles que a têm de pagar. Para esse efeito, este Bloco Central une-se para alterar as regras do subsídio de desemprego, para retirar algumas migalhas a quem delas tanto precisa.
Ouvi, há dias, uma música que dizia o seguinte: "os pobres não foram os culpados da crise, porque ela é muito cara". Sendo verdade a afirmação, devo acrescentar que os trabalhadores também não são os culpados da crise, porque já sabem que isso colocaria em risco o seu posto de trabalho. Então, se os empregados (agora desempregados) não são os responsáveis da crise, se já pagaram com a perca do posto de trabalho, porque é que têm de ser novamente sacrificados?!
Quem fica a rir, no meio disto tudo, é quem fez a asneira. Os bancos, mesmo no pico da crise, nunca pararam de apresentar milhões de euros de lucros, com as ajudas dos estados. E, agora, em vez de serem chamados a pagar o arranjo do estrago que fizeram, continuam a ter um tratamento especial. Como é que se pode perceber, por exemplo, que os bancos paguem menos impostos que os restantes portugueses! Qualquer um de nós, que tenha um pequeno negócio, paga taxas de impostos mais altas do que as que são pagas pelos bancos. Porque é que isso acontece quando eles apresentam milhões de euros de lucro por dia? Porque é que os bancos podem continuar a ter um tratamento de favor, quando foram eles os responsáveis por estarmos mergulhados na gravíssima crise em que estamos?
Não podemos aceitar que sejam os desempregados a pagar a crise! Já chega de serem sempre os mesmos a pagar a conta. É hora dos responsáveis por toda esta situação se chegarem à frente. Os bancos que sejam obrigados a contribuir para ultrapassarmos a crise. Estas são as propostas do Bloco de Esquerda, este é um caminho de futuro para Portugal, esta é a Justiça na Economia.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Texto de apoio para a prova de História do 1º EM

Salve!

Segue abaixo um resumo das aulas sobre Grécia, para auxiliá-los nos estudos para a prova de amanhã.

Abraços e bons estudos


domingo, 25 de abril de 2010

3º EM - AC1 - Filosofia

Salve cidadãos do 3º EM

Para nossa primeira AC do mundo virtual, peço que sigam as intruções abaixo.

1º Assistam ao filme na íntegra (algo que já deveria ter sido feito a esta altura do campeonato...)

2º Analisem o contexto histórico retratado pelo filme

3º A partir de tal análise, reflita sobre a posição e a importância da filosofia dentro dos quadros apresentados. Lembre-se que o filme faz uma passagem rápida pelo século XX todo e, portanto, especifique o período a ser trabalhado e cite qual o trecho ao qual faz alusão.


4º Aplique algum dos conceitos sociológicos trabalhados em sala para qualquer parte do filme.

Data final da postagem: 27/4 às 23h59

Espero que esta prática possa tornar-se mais frequente nos próximos períodos.

Abraços à todos!

sábado, 24 de abril de 2010

2º EM - AC1 - Filosofia

Salve cidadãos do 2ºEM

Para a atividade de filosofia, procure relacionar os conceitos trabalhados durante o período (Cultura, Estado, Poder, IDeologia) dentro da análise do espaço onde se passa o filme.
Supermercado x Ideologia
À qual poder atende? Como este poder é representado?

Abraços

quinta-feira, 22 de abril de 2010

1º EM - AC 1 - Filosofia

Salve cidadãos do 1º ano.

Mais uma proposta, agora para Filosofia.

1º Assista os primeiros 3 minutos do trecho do filme:

http://www.youtube.com/watch?v=3wiQEfJrNVE

2º Analise a ideia de que padrão de beleza é mito.

3º Discuta sobre a relação Conhecimento x Consumo.

O prazo final para a publicação dos textos é dia 26/04

Abraços

1º EM - AC 1 - Sociologia

Salve cidadãos do 1º ano.

Vamos à nossa proposta.

1º A partir da análise do filme, pense na relação Revolução Industrial x Consumo x Sociologia e debata sobre o significado do Supermercado apresentado no filme. Além disso, porque será que ele é branco???

2º A imagem abaixo pode ajudá-los a pensar.



O prazo final para publicação é 26/04

Abraços

terça-feira, 20 de abril de 2010

2°EM - AC 1 - Sociologia

Salve cidadãos do 2° EM

Para nossa primeira atividade filosófico-cibernética, deveremos seguir as seguintes etapas.

1° Assitir ao trecho do filme disponível no endereço abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=3wiQEfJrNVE (apenas a partir de 3 minutos e meio)

2° Pesquisar o significado do conceito de fetichismo para a Sociologia.

3° A partir deste conceito, discuta a ideia exposta no vídeo acima citado.

4° Para melhorar a discussão, utilize a imagem trabalhada na Prova Teste.
Percebam que a charge reproduz uma invasão militar, porém esses militares são personagens da Walt Disney e carrega, ou estão próximos, à diversas marcas como Texaco, Coca-cola, Shell, Nike, Microsoft, CNN, IBM, Mc Donalds e outras...  Quem está invadindo? Qual objetivo?
Não é necessária responder à estas perguntas, mas é possível pensar sobre elas para a elaboração de suas respostas.


O prazo final para a publicação dos textos é  26/04/2010.

Abraços à todos e à todas.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Atividades Complementares - REGRAS

Salve à todos e à todas!

Vamos pôr ordem no Coreto....

Para que o blog funcione como uma ferramenta de estudos/aprendizagem e que a avaliação possa ser feita de maneira mais objetiva e clara, é preciso estabelecer alguns critérios para os comentários:

1. O Anonimato está proibido, até porque preciso saber para quem dar as notas...
2. Os comentários serão avaliados de acordo com a pertinência de seus apontamntos, portanto, não adianta escrever apenas para seu nome aparecer. Coerência com o assunto é um dos pressupostos mais básicos das Ciências Humanas.
3. A participação também será considerada no momento em que a nota for estipulada, mas, novamente, apenas as participações coerentes. Encher linguiça é função de açougueiro...
4. A nota de AC será distribuida entre as mais diversas propostas. Por exemplo, se forem quatro propostas no blog, cada uma valerá 2,5. Se for uma no blog e uma em sala, 5,0 cada. E assim por diante...
5. O prazo será dado no momento em que a proposta for feita e não haverá, SOB HIPÓTESE ALGUMA, alteração. Por isso, não deixem para última hora. Para não haver problemas, as AC serão avisadas em sala.
6. Vocês terão até Quinta para tirarem suas dúvidas e para que façam suas sugestões - podendo ser aceitas ou não -.
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Abraços

domingo, 18 de abril de 2010

Respondendo às perguntas

 Pessoal, não sei quem conseguirá ler as respostas. Peço que não deixem para enviar as dúvidas muito em cima da hora. Fica difícil acessar a rede o tempo todo. De qualquer forma, aí vai...
 
raquel disse...
Professor, não consegui entender os conceitos de mais-valia absoluta e mais-valia relativa. essa duas ''mais-valias'' são estratégias para ampliar o lucro?
 
Tiago Dias disse...
Oi Raquel. A "Mais-Valia" tem por objetivo essencial a ampliação do lucro. Este aumento pode assumir duas formas, a Mais-Valia Absoluta, aumento direto da Mais-Valia, sobretudo através do prolongamento da jornada de trabalho ou da redução dos salários; e Mais-Valia relativa, aumento indireto da Mais-Valia, quando o desenvolvimento das forças produtivas diminui os custos das mercadorias para o sustento do trabalho assalariado.  
Pedro disse...
Podemos tirar por conclusão que o estado positivista não se trata na verdade de um estado baseado na razão e sem fundamento da religião, mais sim, uma união de ambos dentro de suas importâncias?  
Resposta:Pedro, é um Estado baseado na razão. Cuidado para não confudir a evolução do Estado para o positivismo com o Estado positivista em si. Para Comte, o estágio mais avançado é o Positivista, quando este se desvincula da religião.
Pedro disse...
A sociedade onde vivia Marx já era assombrada pelos males do consumisto a partir dessa idealização de mercadorias ligadas a patamares socias e realizações pessoais e até sexualismo? Resposta: Karl Marx escreveu suas principais obras entre 1848 e 1861, ou seja, no momento em que a Revolução Industrial espalhava-se pela Europa. O aumento do consumo era facilmente visualizável.
Espero que os ajude.
Abraços

Até que enfim!!!!

Salve à todos e à todas!

Estava fuçando na rede hoje e achei uma publicação em um blog de um grande amigo um artigo da UNICAMP sobre as mudaças no vestibular para esse ano. Para minha felicidade, está confirmada a inserção de FILOSOFIA e SOCIOLOGIA na prova. Ainda que de forma modesta, já apreceremos na prova. É um sinal. Leiam o artigo todo no sítio do Mundo Vestibular.

Abraços

sábado, 17 de abril de 2010

2º e 3º EM - Texto de apoio

Salve à todos e à todas!

Leia este artigo publicado em um blog, há um bom tempo, mas que é muito bacana e traduz um pouco do que é nossa sociedade. Além disso pode ajudar muitos de vocês à estudarem para a prova.

Aos que não são do 2º e 3º, também recomendo, pois  texto é ótimo e esclarece alguns pontos sobre marxismo, consumismo, sociedade capitalista....

Boa leitura e divirtam-se

http://www.logdemsn.com/2007/09/23/o-fetichismo-da-mercadoria/

1º EM - Max Weber - Texto de apoio para PT

Salve à todos e à todas!


Segue um pequeno resumo para auxiliá-los nos estudos sobre Max Weber


Weber é o principal representante da Sociologia alemã e questionador dos modos positivistas de formulação de leis sociais, tema que rendeu acirrados debates à sua época. Defendia a idéia de que uma Ciência Social não poderia reduzir a realidade empírica à leis, pois tanto na escolha do tema a ser trabalhado quanto na explicação do acontecimento concreto, o cientista se vale de diversos fatores ligados à realidade dos fatos assim como a seus próprios valores, para dar sentido à realidade particular. Entretanto, se faz necessário o uso de uma metodologia de estudo, e o método proposto por weber baseia-se no estado de desenvolvimento dos conhecimentos, nas estruturas conceituais de que se dispõe e nas normas de pensamentos vigentes, o que irá permitir a obtenção de resultados válidos não apenas para si próprio. O sociólogo trabalha apenas com a realidade e busca características em comum na sociedade, sendo assim, a elaboração de um instrumento que auxilie na busca da compreensão dos comportamentos sociais, é fundamental.
Para Weber a sociologia é uma ciência que tenta entender a ação social, ou melhor, compreender os sentidos que os atores dão a suas ações. – neste caso o foco da análise é o indivíduo e não a sociedade, diferente do que ocorre para Marx e para Durkheim. 
O tipo ideal é um modelo de interpretação-investigação, e é a partir dele que o cientista social irá analisar as sociedades e as formas de ação. Para Weber, a ação é toda conduta humana dotada de um significado subjetivo dado por quem a executa e ação social é toda conduta dotada de sentido para quem a efetua, a ação social deve ser praticada com intenção. A partir disso, Weber constrói quatro tipos ideais de ação social que podem se enquadrar na sociedade. A ação tradicional diz respeito aos hábitos e costumes enraizados, como por exemplo, comemorar o natal. A ação afetiva é inspirada em emoções imediatas, sem considerações de meios ou de fins a atingir, como torcer por um time, o indivíduo pratica a ação porque se sente bem. A ação racional em relação a valores é aquela em que o individuo considera apenas suas convicções pessoais e sua fidelidade a tais convicções, como ser honesto, ser casto. E a ação racional com relação a fins é praticada com um objetivo previamente definido, visando apenas o resultado. Weber define a Sociologia como a ciência que pretende entender, interpretando-a, a ação social, para explicá-la causalmente em seus desenvolvimentos e efeitos, ou seja, pretende explicar que tipo de mentalidade leva à realização das ações. Partindo do conceito de sociologia e das ações sociais podemos então compreender o que seja relação social, definida por Weber como uma conduta plural, reciprocamente orientada, dotada de conteúdos significativos que descansam na probabilidade de que se agirá socialmente de um certo modo, porém o caráter recíproco da relação social não obriga os agentes envolvidos a atuarem da mesma forma, entendemos que na relação social todos os envolvidos compreendem o sentido das ações, todos sabem do que se trata ainda que não haja correspondência. Quanto mais racionais forem as relações sociais maior será a probabilidade de que se tornem normas de conduta.

Abraços e bons estudos!

Nós que aqui estamos, por vós esperamos

Salve à todos e à todas!

Segue o endereço para vocês assistirem ao fillme na íntegra. O vídeo está dividido em 7 partes, no You Tube.

Em breve vocês terão as indicações para a Atividade.

Abraços e bons estudos.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

3º EM - Textos de apoio para a PT

Salve à todos e à todas.

Atendendo aos mais diversos pedidos e com objetivo de sanar o desejo incontrolável de saber que anceia vossas pobres almas, aproveito tal ferramenta do mundo virtual cibernético pós moderno para oferecer-lhes um apoio didático pedagógico de crescimento intelectual.

Visando permiter que desfrutem de dias menos intempestuosos, trago-lhes com grande felicidade, algumas indicações de sítios na rede mundial que os auxiliarão nos estudos, enobrecendo vossas almas e deixando vossas vidas menos taciturnas, macambuzias.

Seguirá, na complementação desta superficial, mas bem intencionada, redação, trechos destes mesmos sítios com a referência bibliográfica para a leitura em sua íntegra no próprio local de origem.

Fico, desde já, venturoso com vossas visitas neste humilde "blog".

Um ótimo final de semana,

Professor Tiago Dias





AUGUSTO COMTE E O POSITIVISMO


O progresso do espírito



A filosofia da historia – primeiro tema da filosofia de Comte – pode ser sintetizada na sua célebre lei dos três estados: todas as ciências e o espírito humano como um todo desenvolvem-se através de três fases distintas: a teológica, a metafísica e a positiva.

No estado teológico, pensa Comte, o número de observações dos fenômenos reduz-se a poucos casos e, por isso, a imaginação desempenha papel de primeiro plano. Diante da diversidade da natureza, o homem só consegue explicá-­la mediante a crença na intervenção de seres pessoais e sobrenaturais. O mundo torna-se compreensível somente através das idéias de deuses e espíritos. Segundo Comte, a mentalidade teológica visa a um tipo de compreensão absoluta; o homem, nesse estágio de desenvolvi­mento, acredita ter posse absoluta do conhecimento. Para além dos limites dos seres sobrenaturais, o homem não coloca qualquer problema, sentindo-se satisfeito na medida em que a possibilidade de recorrer à intervenção das divindades fornece um quadro para compreensão dos fenômenos que ocorrem ao seu redor.

Paralelamente às funções de explicação da natureza, a mentalidade teológica desempenharia também relevante papel de coesão social, fundamentando a vida social. Confiando em poderes imutáveis, fundados na autoridade, essa mentalidade teria como forma política correspondente a monarquia aliada ao militarismo.

O estado teológico, para Comte, apresenta-se dividido em três períodos sucessivos: o fetichismo, o politeísmo e o monoteísmo. No fetichismo, uma vida espiritual, semelhante à do homem, é atribuída aos seres naturais. O politeísmo esvazia os seres naturais de suas vidas anímicas - tal como concebidos no estágio anterior - e atribui a animação desses seres não a si mesmos, mas a outros seres, invisíveis e habitantes de um mundo superior. No monoteísmo, a distância entre os seres e seus princípios explicativos aumenta ainda mais; o homem, nesse estágio, reúne todas as divindades em uma só.

A fase teológica monoteísta representaria, no desenvolvimento do espírito humano, uma etapa de transição para o estado metafísico. Este, inicialmente, concebe “forças” para explicar ficar os diferentes grupos de fenômenos, em substituição às divindades da fase teológica. Fala-se então de uma “força física”, uma “força química”, uma “força vital”. Num segundo período, a mentalidade metafísica reuniria todas essas forças numa só, a chamada “natureza”, unidade que equivaleria ao deus único do monoteísmo.

O estado metafísico tem, segundo Comte, outros pontos de contato com o teológico. Ambos tendem à procura de soluções absolutas para os problemas do homem; a metafísica, tanto quanto a teologia, procura explicar a “natureza íntima” das coisas, sua origem e destino últimos, bem como a maneira pela qual são produzidas. A diferença reside no fato de a metafísica colocar o abstrato no lugar do concreto e a argumentação no lugar da imaginação. Nessa perspectiva comteana, o estado metafísico se caracterizaria fundamentalmente pela dissolução do teológico. A argumentação, penetrando nos domínios das idéias teológicas, traria à luz suas contradições inerentes e substituiria a vontade divina por "idéias" ou "forças". Com isso, a metafísica destruiria a idéia teológica de subordinação da natureza e do homem ao sobrenatural. Na esfera política, o espírito metafísico corresponderia a uma substituição dos reis pelos juristas; supondo-se a sociedade como originária de um contrato, tende-se a basear o Estado na soberania do povo.


O pensamento positivo

O estado positivo caracteriza-se, segundo Comte, pela subordinação da imaginação e da amamentação à observação. Cada proposição enunciada de maneira positiva deve corresponder a um fato, seja particular, seja universal. Isso não significa, porém, que Comte defenda um empirismo puro, ou seja, a redução de todo conhecimento à apreensão exclusiva de fatos isolados. A visão positiva dos fatos abandona a considera­cão das causas dos fenômenos (procedimento teológico ou metafísico) e torna-se pesquisa de suas leis, entendidos como relações constantes entre fenômenos observáveis. Quando procura conhecer fenômenos psicológicos, o espírito positivo deve visar às relações imutáveis presentes neles - como quando trata de fenômenos físicos, como o movimento ou a massa; só assim conseguiria realmente explicá-los. Segundo Comte, a procura de leis imutáveis ocorreu pela primeira vez na história quando os antros gregos criaram a astronomia matemática. Na época moderna, o mesmo procedimento invento reaparece em Bacon (1561 - 1626), Galileu (1564 - 1642) e René Descartes (1596 - 1650), os fundadores da filosofia positiva, para Comte.

A filosofia positiva, ao contrário dos estados teológico e metafísico, considera impossível a redução dos fenômenos naturais a um só princípio (Deus, natureza ou outro experiência equivalente). Segundo Comte, a experiência nunca mostra mais do que uma limitada interconexão entre determinados fenômenos. Cada ciência ocupa-se apenas com certo grupo de fenômenos, irredutíveis uns aos outros. A unidade que o conhecimento pode alcançar seria, assim, inteiramente subjetiva, radicando no fato de empregar-se um mesmo método, seja qual for o campo em questão: uma idêntica metodologia produz convergência e homogeneidade de teorias.

Essa unidade do conhecimento não é apenas individual, mas também coletiva; isso faz da filosofia positiva o funda­mento intelectual da fraternidade entre os homens, possibilitando a vida prática em comum. A união entre a teoria e a prática seria muito mais íntima no esta­do positivo do que nos anteriores, pois o conhecimento das relações constantes entre os fenômenos torna possível deter­minar seu futuro desenvolvimento. O conhecimento positivo caracteriza-se pela previsibilidade: “ver para prever” é o lema da ciência positiva. A previsibilidade científica permite o desenvolvi­mento da técnica e, assim, o estado positivo corresponde à indústria, no sentido de exploração da natureza pelo homem.

Em suma, o espírito positivo, segundo Comte, instaura as ciências como investigação do real, do certo e indubitável, do precisamente determinado e do útil. Nos domínios do social e do político, o estágio positivo do espírito humano marcaria a passagem do poder espiritual para as mãos dos sábios e cientistas e do poder material para o controle dos industriais.

Texto na íntegra
http://www.culturabrasil.org/comte.htm

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Música para ouvir

Salve à todos e à todas!

Esses dias tem sido muito corridos e, por conta disto, não consegui publicar nada por aqui.

Enquanto não apimentamos nossas conversas com os filmes sugeridos ou as leituras propostas, fica a dica de uma musiquinha, de Chico Buarque.

Acho bacana pensarmos nela como referência ao nosso dia a dia. Ouçam, opinem...

Abraços!

Deus lhe Pague


Por esse pão
pra comer
Por esse chão
pra dormir
A certidão pra nascer
E a concessão
pra sorrir
Por me deixar respirar
Por me deixar existir

Pelo prazer
de chorar
E pelo "estamos aí"
Pela piada no bar
E o futebol
pra aplaudir
Um crime
pra comentar
E um samba
pra distrair
Deus lhe pague

Por essa praia
Essa saia
Pelas mulheres daqui
O amor mal feito
Depressa
Fazer a barba e partir
Pelo domingo
que é lindo
Novela, missa
jornal e gibi
Pela cachaça
desgraça
Que a gente tem
que engolir

Pela fumaça
desgraça
que a gente
tem que tossir
Pelos andaimes,
pingentes
Que a gente
tem que cair
Deus lhe pague

Por mais um
dia, agonia Pra suportar
e assistir
Pelo rangido
dos dentes
Pela a cidade a zunir
E pelo grito
demente
Que nos ajuda a fugir
Pela mulher
carpideira
Pra nos louvar
e cuspir
E pelas
(vermes)moscas-bicheiras
A nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira
que enfim
vai nos redimir
Deus lhe pague

domingo, 4 de abril de 2010

Aos alunos do 1º e 2º EM e à todos os interessados

Vimos nesta semana o início do filme 1,99 - Um Supermercado que Vende Palavras. Confesso que estou apanhando um pouco para conseguir publicar os trechos que separei do vídeo aqui ou no YouTube (para colocar o endereço aqui). Desta forma, vou passar o endereço do filme completo. Vale lembrar que vimos apenas os primeiros 30 minutos. Vejam e pensem sobre ele. Conversaremos mais durante a semana.

Grande abraço à todos.

http://www.youtube.com/watch?v=vSmuy5ZHBlU&feature=PlayList&p=830C1E5C948D7AF4&playnext_from=PL&index=0&playnext=1

Quem é a nossa mídia!?

Salve à todos e à todas!
 
Este texto foi extraído do site Agencia Carta Maior.

Leiam e reflitam sobre seu conteúdo. Lembrem-se que o texto foi copiado na íntegra, sem qualquer tipo de corte ou emissão de opinião.


"Jorge Furtado: a antiga imprensa, enfim, assume partido

Finalmente a antiga imprensa brasileira assumiu que virou um partido político. O anúncio foi feito pela presidente da Associação Nacional dos Jornais e executiva da Folha de S.Paulo, Maria Judith Brito: "Obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposiciobista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada". A presidente da associação/partido não questiona a moralidade de seus filiados assumirem a “posição oposicionista deste país” enquanto, aos seus leitores, alegam praticar jornalismo. O artigo é de Jorge Furtado
Artigo publicado no blog de Jorge Furtado/Casa de Cinema de Porto Alegre

Quem estava prestando atenção já percebeu faz tempo: a antiga imprensa brasileira virou um partido político, incorporando as sessões paulistas do PSDB (Serra) e do PMDB (Quércia), e o DEM (ex-PFL, ex-Arena).

A boa novidade é que finalmente eles admitiram ser o que são, através das palavras sinceras de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais e executiva do jornal Folha de S. Paulo, em declaração ao jornal O Globo:

“Obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada.”

A presidente da Associação Nacional dos Jornais constata, como ela mesma assinala, o óbvio: seus associados “estão fazendo de fato a posição oposicionista (sic) deste país”. Por que agem assim? Porque “a oposição está profundamente fragilizada”.

A presidente da associação/partido não esclarece porque a oposição “deste país” estaria “profundamente fragilizada”, apesar de ter, como ela mesma reconhece, o irrestrito apoio dos seus associados (os jornais).

A presidente da associação/partido não questiona a moralidade de seus filiados assumirem a “posição oposicionista deste país” enquanto, aos seus leitores, alegam praticar jornalismo. Também não questiona o fato de serem a oposição ao governo “deste país” mas não aos governos do seu estado (São Paulo).

Propriedades privadas, gozando de muitas isenções de impostos para que possam melhor prestar um serviço público fundamental, o de informar a sociedade com a liberdade e o equilíbrio que o bom jornalismo exige, os jornais proclamam-se um partido, isto é, uma “organização social que se fundamenta numa concepção política ou em interesses políticos e sociais comuns e que se propõe alcançar o poder”.

O partido da imprensa se propõe a alcançar o poder com o seu candidato, José Serra. Trata-se, na verdade, de uma retomada: Serra, FHC e seu partido, a imprensa, estiveram no poder por oito anos. Deixaram o governo com desemprego, juros, dívida pública, inflação e carga tributária em alta, crescimento econômico pífio e índices muito baixos de aprovação popular. No governo do partido da imprensa, a criminosa desigualdade social brasileira permaneceu inalterada e os índices de criminalidade (homicídios) tiveram forte crescimento,

O partido da imprensa assumiu a “posição oposicionista” a um governo que hoje conta com enorme aprovação popular. A comparação de desempenho entre os governos do Partido dos Trabalhadores (Lula, Dilma) e do partido da imprensa (FHC, Serra), é extraordinariamente favorável ao primeiro: não há um único índice social ou econômico em que o governo Lula (Dilma) não seja muito superior ao governo FHC (Serra), a lista desta comparação chega a ser enfadonha
Serra é, portanto, o candidato do partido da imprensa, que reúne os interesses da direita brasileira e faz oposição ao governo Lula. Dilma é a candidata da situação, da esquerda, representando vários partidos, defendendo a continuidade do governo Lula.

Agora que tudo ficou bem claro, você pode continuar (ou não) lendo seu jornal, sabendo que ele trabalha explicitamente a favor de uma candidatura e de um partido que, como todo partido, almeja o poder.

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Annita Dunn, diretora de Comunicações da Casa Branca, à rede de televisão CNN e aos repórteres do The New York Times:

"A rede Fox News opera, praticamente, ou como o setor de pesquisas ou como o setor de comunicações do Partido Republicano" (...) "não precisamos fingir que [a Fox] seria empresa comercial de comunicações do mesmo tipo que a CNN. A rede Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, [e] não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha seria o modo que dá legitimidade ao trabalho jornalístico. Quando o presidente [Barack Obama] fala à Fox, já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita. O presidente já sabe que estará como num debate com o partido da oposição."

Atendendo à pedidos!

Salve à todas e à todos!

No dia 31 de março recebi a visita do Brenno e, em seu comentário, me fez uma pergunta. Isto me motivou a escrever mais este texto. Achei o tema muito bacana e, por isso, não respondi no próprio espaço de comentários. Também esperei um pouco porque novos acontecimentos sobre o tema estavam para acontecer.

Então, vamos lá, vou publicar a mensagem do Brenno na íntegra (por dois motivos, primeiramente para incentivar à todos para escreverem e depois porque o texto ficou ótimo!) e depois faço os meus cometários.


" Brenno disse...

Fugindo um pouco do assunto principal, mas ainda falando da "violência" durante e após os jogos de futebol no Brasil, queria perguntar a você, Tiago, se realmente concorda com a lei que vai entrar, ou já entrou, em vigor na cidade de São Paulo (não sei ao certo) sobre o horário dos jogos... Você realmente acha que o horário do término dos jogos influencia a segurança dos espectadores ou simplesmente os problemas à serem resolvidos acontecerão 1 hora antes? Segundo os que são a favor dessa lei, o horário do término dos jogos foi adiantada pelos fatos de que os frequentadores de estádios não teriam transporte após o jogo e teriam problemas no dia seguinte levando em conta o horário de serviço. Concorda com isso ou acha que o governo deveria tentar resolver os reais problemas de segurança e transporte de forma direta em vez de apenas alterar o horário final dos jogos? E por que apenas na cidade de São Paulo?

Abraço, Brenno"

Podemos começar nossas discussões sobre as questões que envolvem apenas o horário. Acredito ser absolutamente desumano um jogo acabar por volta de 24h. Vamos pensar, primeiro, nas pessoas que moram na capital. Para aqueles que vão até o Pacaembu ou Parque Antártica, sair do jogo literalmente no fim do dia e pegar ônibus para casa significa ir dormir as 2h da manhã, se não mais. Além disso, temos que lembrar que o mesmo cidadão levanta às 6h para ir trabalhar, afinal a situação caótica do trânsito paulistano não é novidade à ninguém. Faz-se desnecessária qualquer discussão sobre esta violência individual. Mas a coisa não para por aí.

Vamos pesar, agora, em quem vai ao Morumbi. Um bairro genuinamente elitista, portanto, sem ônibus (já viram rico andar de busão???). O que acarreta, antes de tomar o transporte público (público custando o que custa??? Só isso já é uma boa discussão), uma boa caminhada até o "ponto" mais próximo.

É inegável que o horário é um problema (e nem discutimos a questão da violência, ainda). Mas a pergunta é: à quem este horário interessa?

Será que a grande mídia deste país, em especial a Rede Bobo, gostaria de ver um jogo começanda às 20h? Bem no horário da telenovela-alienante? Quem faria propaganda às 22h45??? Respondida a pergunta sobre o porque do horário, né?

E por último, mas não menos importante, a questão que envolve a violência. Vou começar com uma pergunta - típico de filósofo ficar questionando, né Brenno? - provocadora. Quantas vezes a mesma emissora citada acima reclamou publicamente sobre a ineficiência do governo em resolver a violência que tem sua amplitude máxima na madrugada? Quantas vezes isso ganhou espaço no noticiário tão caro? Porque usar, inclusive, os programas esportivos para suscitar tamanha reflexão, justo agora?

É lógico que o horário do jogo não interfere na questão da violência, apenas teremos menos gente transitando pelas ruas na madrugada de quarta para quinta. Mas isso, somente, não resolve o problema. Também é claro que o governo municipal, estadual, federal é ineficiente neste quesito. E nem preciso falar da polícia (vamos criar um tópico de discussão sobre violência? Tem muita coisa a ser debatida, o que acham?), que é frágil, mal paga, mal treinada e assim por diante. Mas, como a Câmara dos Vereadores da Capital resolveu tocar no assunto, a Rede Bobo levantou todos estes problemas apenas para tirar o foco da questão central: o FUTEBOL.

E, como o assunto é absolutamente financeiro, o língua presa Gilberto Kassab, que está preso à emissora, na quinta (antes de um feriado cristão quando as TV'S falam apenas de ovos de páscoa e acidente nas estradas) vetou a lei proposta pela Câmara dos Vereadores. Estes prometeram derrubar o veto, mas...

Quem será que terá mais peito? Vereadores em ano de campanha (o assunto é bem popular, né?) ou a Rede Marinho????

Em breve, cenas do próximo capítulo...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Agradecimentos

Salve à todas e à todos!

Gostaria de aproveitar o momento para agradecer à todos que passaram por aqui, comentando ou não. Espero que possamos ampliar nossas discussões e trazer à luz novos conhecimentos. Todos estão sendo muito importantes para isso.

Porém, tenho apenas uma ressalva, muitos comentários estão vindo na forma anônima ou com apelidos. Não publicarei mais este tipo de comentário. Não é nada pessoal, mas, como professor, acho que devemos ser donos de nossas ideias e assumí-las perante todos, sem vergonhas, pudores ou qualquer coisa que imaginemos que nos irá desabonar. Não existe pensamento, ideia, sugestão boba. Estamos aqui para aprender com o debate.

Por isso, peço que identifiquem-se, como nome e o eixo de ligação comigo (dizer se é amigo ou aluno de uma determinada escola...).

Obrigado pela compreensão e colaboração.

Ótima páscoa!

domingo, 28 de março de 2010

As pessoas não entendem mesmo de futebol...

Salve à todas e à todos.


Ainda me impressiono bastante com a estupidez que ronda o futebol. Este domingo tinha tudo para ser um daqueles em que o prazer de assistir à uma partida contagiasse os torcedores. Reta final de campeonato (mesmo este não tendo tanta importância), disputa acirrada por uma vaga para a próxima fase, jogos bonitos, um time com futebol encantador. Que recheio bacana para uma matéria esportiva.
Terminado o jogo Corinthians x São Paulo vim para meu computador preparar uma aulinhas para esta semana e resolvi, antes de começar a labuta, verificar meu e-mail e dar uma sapeada pelos sítios esportivos (quando vencemos não enjoamos de ler várias vezes a mesma coisa, né?). Não deveria ter feito isso...
Ao invés de notícias sobre o jogo, discussão sobre as arbitragens (isso pode ser assunto para outra postagem) ou declarações dos jogadores ao fim de jogo, me deparei, mais uma vez, com o toque de insanidade dos torcedores dos grandes times. Brigas na Zona Leste, brigas na Zona Oeste, brigas nas imediações do estádio. E a pergunta é simples e redundante, para que? Ou por quem?
Quem ganha com essas brigas de rua? Qual a graça de marcar uma briga por comunidades em sítios de relacionamento?
Mas, o mais triste disso tudo é saber quem motiva tamanha atrocidade. Infelizmente, os (ir)responsáveis pelos clubes geram o clima propício para os tais conflitos. Declarações estúpidas sobre os adversários, bate-boca em plena Assembleia Legislativa - no momento em que as discussões eram de MUITO interesse público - cercam os jogos de animosidades desnecessárias. Estes são, na minha opinião, os primeiros responsáveis.
Mas, a mídia tem uma parcela de culpa muito grande nisso tudo. O sensacionalismo que cerca o futebol no Brasil é exagerado. E para ganhar a notícia, os repórteres mequetrefes incentivam essa palhaçada de discussões entre os dirigentes e aguçam, ainda mais, as rivalidades que não deveriam existir. E para que? Será que estes medíocres não tem capacidade de produzir matérias com bom conteúdo?
Vamos torcer para que essa baboseira pare logo. Façamos nosso papel, vamos assistir aos jogos e ficar apenas nas discussões que cercam o jogo. Chega de briga, chega de estupidez!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Aos amigos! Ou aos leitores, apenas

Salve à todas e à todos!

Estes últimos anos têm sido bastante marcantes para mim, principalmente pelos novos enfrentamentos que assumi. Dar aulas de filosofia nunca estiveram nos meus planos, mas me abriram portas que não poderia deixar de entrar. E o que mais me surpreendeu, é que estou gostando.
Não, na verdade, estou surpreso com a resposta que venho obtendo de alguns novos filósofos, que teimamos por pura convenção em chamar de alunos. Não imaginaria ter a quantidade significativa de pessoas debatendo sobre os assuntos propostos, muitas vezes sem minha interferência. Parabéns à eles (ou à vocês, se estiverem por aqui).
Espero transformar este blog em espaço de debate, de conversas que precisavam ser continuadas, de ponto de leitura e indicações para tal ou apenas de um bate-papo gostoso para relaxar a cabeça dos assuntos sérios.
Agradeço à todos que tiverem paciência de ler e peço desculpas desde já pela pouca inspiração desta conversa inicial e pelas abobrinhas que aparecerão por aqui.

Abraços e até a próxima dose!

domingo, 21 de março de 2010

E se ao invés de X-Salada fosse Beirute do Habib's, será que Botucatu estaria melhor????